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O que é a Economia do Cuidado e como ela impacta as mulheres

A economia do cuidado é um sistema que envolve atividades e interações relacionadas ao atendimento dos aspectos físicos, emocionais e psicológicos da atenção. Apesar de fundamental para o bem-estar da comunidade, ainda é uma ocupação subvalorizada quando comparamos com outras atividades econômicas. Já para nós, mulheres, o impacto do cuidado é enorme, visto que somos a principal força desse setor.

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Economia do cuidado são atividades que podem ser realizadas direta ou indiretamente, também podem ser ou não remuneradas. Além disso, são tarefas de curto prazo, como cuidados de maternidade, ou de longo prazo como acompanhamento de idosos e deficientes.


O trabalho de cuidado compreende outros setores da economia como educação, saúde e trabalho social. Portanto, movimentando professores, enfermeiros, agentes comunitários, assistentes sociais e trabalhadores domésticos.


Trabalhadores do setor do cuidado contribuem significativamente através do relacionamento desenvolvido com o receptor durante a prestação dos serviços de cuidados. Especialmente, os não remunerados que promovem benefícios à sociedade ao oferecer atenção de qualidade e confiável, sem receber nada por isso.


Então, quando falamos do trabalho de cuidado não remunerado precisamos lembrar que a maior parte dessa demanda é realizada por mulheres. Sim, somos maioria entre os cuidados não remunerados.

A demanda por trabalhadores que atuam na economia do cuidado deve aumentar até 2030. Uma vez que a busca por melhores oportunidades por indivíduos de regiões de baixa e média renda vai ampliar a quantidade de idosos, além de causar redução na população economicamente ativa.


Também podemos destacar a influência da urbanização na formação tradicional de família, que está se tornando nuclear, monoparental e transnacional, afastando-as dos vínculos dos cuidados comunitários. Como mais um fator determinante no crescimento da demanda por trabalhadores do setor de cuidados.


Além do mais as transformações climáticas que intensificou a escassez de água e alimentos, aumentou a carga de trabalho para as mulheres. Em função disso, o excesso de atividades assistenciais não remuneradas e exaustivas pode reduzir a qualidade do cuidado recebido.


A economia do cuidado em números

  • 10,8 trilhões de dólares é o valor gerado pelo trabalho não remunerado das mulheres;

  • Na América Latina e Caribe 93% dos trabalhadores domésticos são mulheres;

  • 63% dos cargos de serviços domésticos no Brasil são ocupados por mulheres negras;

  • O trabalho de cuidado consome muitas horas das mulheres. Por exemplo, amamentar durante 6 meses absorve 650 horas.

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Vamos fazer uma conta rápida aqui, pegando o salário mínimo de exemplo. O salário mínimo é R$1.212, ele dividido por uma jornada de 160h mensais temos um valor de R$20,20 por hora, isso vezes a quantidade de horas de amamentação (650) você deveria receber R$13.130 pela amamentação, fora todas as outras atividades.


O trabalho invisível das mulheres

Durante a pandemia tivemos muitas discussões sobre atividades fundamentais, a respeito do que deveria ser considerado um trabalho essencial. E como fica o cuidado nesse cenário todo? Já que também é uma função primordial, geralmente realizada por mulheres.

Cuidar da casa, da família, dos filhos, cozinhar, ir ao supermercado, levar as crianças na escola, entre outras, são atividades que fazem parte da rotina da mulher. São tarefas essenciais e fazem parte da economia do cuidado. Entretanto, não são remunerados, não são reconhecidas e nem vistas.


Portanto, é importante tratar o cuidado como um trabalho. Pois exige tempo, dedicação e esforço.

Além disso, nem toda mulher quando está realizando um trabalho de cuidado está ali por escolha. No geral, a atenção se torna uma tarefa da mulher, com a qual ela precisa se virar. Como aconteceu com muitas guerreiras no decorrer da pandemia, que perderam sua rede de apoio como escolas e auxílio dos avôs.


Existe uma construção social que nos leva a acreditar que a mulher já nasce pronta para o trabalho de cuidado, como se não tivéssemos sido treinadas para isso. Ocorre que desde a infância somos preparadas para assumir o papel de cuidadoras em nossa vida adulta. A propósito, algumas já assumem a criação dos irmãos ainda na infância. Já que temos um exército de mães solos no país, especialmente mulheres negras que são 61% do total segundo dados do IBGE.


Ganhamos bonecas, panelinhas e vassouras. Já os meninos são presenteados com carrinhos e brinquedos que auxiliam no desenvolvimento de outras habilidades. Isso significa que eles têm mais tempo para se desenvolverem, enquanto estamos sendo educadas para o cuidado.


Além do mais, assumimos responsabilidades mais cedo, pois, por volta dos 9 anos as meninas já recebem tarefas como ajudar nos cuidados da casa, dos irmãos, ou se tornar babá cuidando dos filhos de outras pessoas para ajudar no orçamento familiar. Mais uma vez as mulheres negras são as mais afetadas por essa realidade.


Por isso, ao falar sobre sobrecarga de trabalho, precisamos considerar toda essa construção social que nos colocou nesse lugar do cuidado. Assim como todo o tempo extra que os garotos ganham para desenvolver outras habilidades. Não sei vocês, mas já estou revoltada!

Logo, já partimos de um lugar de desigualdades. Dito isso, precisamos reconhecer este lugar e começar a debater essa construção social tão cruel com as mulheres.


Como mudar essa construção cultural?

Com o avanço da mulher branca no Mercado de Trabalho temos cada vez mais mulheres tendo jornada dupla/tripla para conseguir trabalhar fora de casa e dar conta dos trabalhos domésticos, muitas vezes não compartilhados com os seus parceiros (que podem estar trabalhando para conseguir dobrar o salário no período que a mulher precisa se dedicar aos trabalhos domésticos e estão exaustos também). Muitas vezes essa questão é solucionada contratando mulheres negras para o cuidado com condições análogas a escravidão (quem cuida dos filhos delas?). Portanto todo o sistema precisa ser questionado, primeiro para entendermos as condições de trabalho (jornadas, salários, flexibilidade, oportunidades), considerando o racismo e a equidade de gênero, para enfim conseguirmos discutir divisão de tarefas.


Através da comunicação e compartilhamento, já que não é possível combater um problema desconhecido. Afinal, é interessante para a estrutura que continuemos sem reconhecer nossa contribuição.


Precisamos que mais mulheres percebam que estão realizando um trabalho não remunerado. Que durante toda a nossa criação fomos treinadas para estar nesse lugar, no papel da cuidadora. A principal responsável pelos cuidados da família. E que têm gente lucrando com nossa exaustão física e emocional.


Também é necessário repensar a forma como criamos as nossas crianças. Se não corremos o risco de repetir e reforçar esta ideia de que o cuidado é responsabilidade somente da mulher.

Além de desenvolver estratégias para dividir esse trabalho de cuidado. Não vai ser fácil, mas é uma atitude necessária se quisermos reduzir esse cenário.

A importância do conhecimento financeiro


Como conhecimento é poder. Entender como o trabalho de cuidado não remunerado impacta o seu crescimento é muito importante. Já que estamos investindo tempo em atividades que poderiam ser realizadas por outras pessoas. Não seria interessante compartilhar com o pai as tarefas relacionadas à rotina das crianças?


Quando dizemos que os meninos ganham mais tempo para desenvolver outras habilidades, isso tem relação com a capacidade de realizar cálculos. Como somos colocadas nesse lugar da cuidadora não aprendemos a lidar com números. Uma habilidade muito importante para o nosso futuro. Até para saber como o cuidado interfere na nossa vida.


Estamos aqui para reduzir esse abismo entre homens e mulheres, ensinando finanças para que você seja Dona da sua jornada. A educação financeira é uma ferramenta incrível de empoderamento feminino, conte com a gente para te auxiliar nesse processo.

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