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Finanças: Um tabu para nós brasileiros, mas principalmente para nós mulheres

Quando falamos em educação financeira, o Brasil fica atrás de muitos países pobres do mundo. Estamos em 74° no ranking global de 150 países, atrás de Madagascar, Togo e Zimbabue (Pesquisa S&P Ratings Services 2014). Poucas pessoas devem se lembrar de ter estudado isso na escola, faculdade ou até mesmo de ter tido um conversa mais didática sobre o tema com os pais. Falar de dinheiro no país é um Tabu, falar com amigos e familiares sobre dinheiro não pode, saber quanto o outro pagou em determinada coisa, quanto recebe, quais aplicações usa, como controla, não é permitido, é invasivo. Ninguém fala sobre dinheiro, ninguém troca informações, o tema é chato e a gente sempre acha que passa vergonha no assunto. Pesquisa feita pelo SPC mostra que 45% dos brasileiros admitem não fazer controle efetivo do orçamento, e daqueles que fazem apenas metade planeja o mês com antecedência.


Passando então para finanças pessoais no universo feminino, o assunto fica ainda mais estigmatizado. Se para todo mundo é difícil lidar com finanças, para a mulher acaba se tornando ainda mais. Temos o estigma de que não sabemos lidar com dinheiro, que só sabemos gastar, que somos descontroladas e consumistas. Pesquisa feita pela T. Rowe Price mostra que 80% dos pais de meninos dizem acreditar que seus filhos entendem o valor do dinheiro, comparados com apenas 69% dos que têm filhas meninas. Segundo Judith Ward, planejadora financeira sênior, os pais tomam a iniciativa de conversar sobre dinheiro com os meninos, mas só conversam sobre o tema com as meninas quando elas demonstram interesse pelo assunto.

Essa falta de confiança na capacidade das mulheres lidarem com finanças é só mais um reflexo da questão histórica de uma sociedade machista, em que a mulher sempre foi inferiorizada e privada de muitas coisas. Faz pouco tempo que fomos “autorizadas” a administrar nosso dinheiro, que podemos participar das decisões e do universo financeiro. A mulher só teve o direito a voto, garantido no código eleitoral brasileiro, no ano de 1932. Apenas em 45 a igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional. E mais recente ainda foi o Estatuto da Mulher casada, que apenas em 1962 garantiu entre outras coisas que a mulher não precisava mais de autorização do marido para trabalhar, receber herança e em caso de separação ela poderia requerer a guarda dos filhos, foi também nesse estatuto que fomos autorizadas a termos CPF e abrirmos nossas contas em bancos.


Ou seja, faz muito pouco que temos na legislação o direito de nos apropriarmos das nossas finanças. Essa confiança não aparece de um dia para o outro, ainda temos muito estigma social e cultural, até mesmo na nossa educação. O mundo financeiro é predominantemente masculino e nos sentimos muitas vezes incapazes de tratarmos sobre o tema de forma concreta. As mulheres são vistas como um público vulnerável no ambiente da alfabetização financeira, assim como jovens e idosos. A boa notícia é que como assumimos que não sabemos e por isso formamos um grupo mais receptivo para as iniciativas de educação do que grupos masculinos. Por isso, bora reverter esse contexto que nos colocaram e dividir cada vez mais nossas experiências no mundo financeiro?



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